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terça-feira, 9 de março de 2010

Os Cachoeirinhos...Não tenham medo!























Fotos: Felippe Bernardo




Os Cachoeirinhos

Não tenha medo!

Texto: Carlos Conrado


Artur, Geremias, Morgana, minha avó e eu, estávamos na estrada a mais de 3 horas, pois já tínhamos nos perdido demasiadamente.

O carro era um Uno azul, 2 portas, com placa de Aracaju. Éramos residentes da capital sergipana e tínhamos ido à Salvador para um evento social em que fazíamos parte da programação. Estávamos na estrada movidos a estresse e muito cansaço.

Ao chegar à divisa da Bahia com Sergipe, na rodovia Linha Verde, que não era verde e sim branca e, às vezes, amarela. Paramos para que o nosso colega e motorista pudesse enfim estirar as pernas e matar a fome que era notório seus olhos expressarem.

O lugar não era tão deserto, pois havia vários restaurantes a beira da estrada, uma padaria cujos pães eram deliciosos e, é claro, havia casas e população. Uma cena típica de interior. Até então não muito diferente dos demais!...

Quando estávamos distraídos a espera do nosso colega que almoçava sossegado, um grupo de seres estranhos veio de encontro a nós. Eram seres de estatura mediana vestidos para não serem identificados. Era um grupo de crianças de 8 a 13 anos que corria atrás de outras crianças que deixassem o vosso medo ser notado. Aquilo era como uma atração folclórica, e realmente era.

Artur, achando graça em tudo aquilo perguntou a um menino comum sem medo e sem máscara, qual era o objetivo de tal grupo se camuflar e correr atrás de outras crianças. O menino com riso estampado na face disse ao nosso companheiro que o nome do grupo era “Os Cachoeirinhos”, e que o objetivo era pegar as crianças medrosas “enrrabar” e levar para o cemitério que ficava ali próximo. Rimos por um tempo incontável, pois ouvir isto da boca de um menino de 5 anos não era comum. Pensávamos que a imaginação deles era demasiada e que talvez, eles nem soubessem realmente o sentido de tal palavra, enrrabar, conhecida por nós adultos. Empolgado pela história do menino, Artur atiçava mais e mais ele e seus coleguinhas , que inocentemente seguravam baleadeiras em suas pequenas mãos, a falarem mais do assunto. Perguntou Artur:

- E vocês têm conhecimento de alguém por aqui que já foi enrrabado?

O menor de todos, aquele de 5 anos disse:

- Já enrrabou eu!

Mais risos surgiram do nosso grupo. Até a minha avó de 90 anos achou graça de tal resposta.

A face do menino demonstrava nenhum entendimento perante a nossa reação. Enquanto estávamos nos distraindo com o riso, uma cena um pouco distante mostrou 3 garotos agredindo um menino com um chicote e, do nosso lado, eram os garotos que não prendia o riso. Achamos tudo aquilo estranho. Partiu de Artur a seguinte frase:

- Esses meninos possuem o gênio do mal!

Quanto mais era dito a respeito daquela situação, mais hilariante ficava para gente. Tínhamos pena de quem apanhava. Mais não conseguíamos nos conter.

Nunca vamos nos esquecer desta bendita passagem que alterou o nosso humor de forma rápida e eficiente e que, se tornou uma lenda e preocupação em nosso meio. Neste mesmo dia choveu bastante, trovejou, não enxergávamos um palmo da estrada, mas não podíamos temer a nada, pois sabíamos o que o medo nos acarretaria.

- Carlos Conrado

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