DESTAQUES

domingo, 23 de maio de 2010

Caro Aischylos,
(personagem de Thiago Amorim)

As pessoas sonham...eu tenho somente pesadelos. Faz sete dias que a minha irmã partiu e, quando vou me deitar também me recordo daquele semblante forte, sincero e confiável mas, a dor que tu sentes é diferente da minha. Éramos ligados ao extremo - como num pacto a ser honrado. Éramos unidos até a alma. A causa dela ter partido deriva de um cancro que a corroia silenciosamente até levá-la ao óbito. Ela era portadora de um câncer maligno. Meu estimado amigo, como já te disse uma vez, “A morte não é o fim e sim uma passagem.” Não guarde em teu peito o escárnio pois, se a ama, entenda que ela se envergonharia de ti neste estado. Lohraine nunca se intimidou com os pensamentos submissos, ela era incapaz de suportar qualquer fraqueza. Eu sei que a falta está em cena neste exato momento, mas nem por isto devemos tornar de nossas vidas um martírio. Não deves te culpar por não ter concretizado a tua paixão. Ela também te amava, e eu estava feliz por isto.
Materializá-la ou torná-la um elemental, é torturar-lhe o ser. Não concordo com as tuas viagens transcendentais para abafar-lhe tudo que te aflige. Deixe-a livre pois uma nova vida a espera. O lado bom disto tudo, é que ela te devolveu a inspiração que há muito tempo havia perdido. Sou a favor de materializá-la nos versos somente. Acredito no teu sentimento, pois sei que jamais mentiria para mim. Deve está achando o meu discurso bastante frio, se estiver, tem toda a razão. Semelhante a ti, também não fui agraciado com a sorte no amor - até hoje não me esqueço da minha grande paixão que foi a Charlotte, por tanto aqui estou, ganhando a vida amando todas ao mesmo tempo afim de esquecê-la mais rápido. Estou voltando para Paris na próxima semana, uma cliente me espera por lá. Ainda faço os meus trabalhos de arquitetura, mas para um homem vaidoso como eu, é impossível quitar todas as minhas dívidas com estes. Preciso te ver Aischylos, pois tenho algo para te entregar. Algo que agora não mais me pertence e sim a ti. Tu amigo; seria o único cunhado que eu aceitaria ter.

Valentine Lencastre
(Personagem de Carlos Conrado)

Nenhum comentário:

Postar um comentário