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domingo, 23 de maio de 2010

II Carta A Aischylos

II Carta A Aischylos

Paris, 13/12/1789


Prezado Aischylos,

Talvez eu pudesse recontar a história de Deus e reviver as suas ações, guiando às suas mãos a explorar aquilo que considero arte. Neste caso eu teria a autonomia e a patente de “Mestre do Grande Arquiteto”. Nossos sonhos são armas; são ferramentas; são forças capazes de destronar o “Deus Omisso”. Minha Idéia ganha reforço com um proverbio de Tchecóv. Diz ele: “ O homem é o que ele acredita.” Zenzatara afirma: “ A sua realidade é a realidade que você cria.” Criar nossas próprias realidades é tomar por consciência as nossas próprias verdades. Deixemo-nos guiar pelos nossos instintos e não por aqueles que designam caminhos já traçados. Amigo Aischylos, antes de falar sobre o meu estado emocional perante a sua última carta enviada, gostaria de enfocar um tema que sera útil para ambos. “As chaves do poder.” Vejamos agora às constantes mudanças do seu cargo. Nos Tempos Primitivos, poder era simplesmente uma questão de fisiologia. Na Era Industrial, o capital era o poder. Hoje, uma das maiores fontes de poder é derivado do conhecimento especializado. O poder é o resultado mais sincereo da nossa auto-segurança. Disse-nos Shakespeare: “Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que sempre poderiamos ganhar, por medo de tentar.” Ir de encontro aos riscos é uma das maiores caracteristicas do poderoso. Para o ilustre Henry Ford, “não devemos ir a procura dos defeitos, mas sim a procura das soluções.”
Achei conveniente também expor um retrato mais nitido das coisas que considero serem as chaves de tal virtude.
Decálogo do Poder
1- Como primeiro artigo do decálogo das chaves do poder, a necessidade de uma visão periferica das coisas é um dos instrumentos de maior responsábilidade que temos.
2- A segunda colocação diz respeito a não precisarmos viver na ilusão de entender tudo para sermos capazes de usarmos tudo.
3- As pessoas são os nossos maiores recursos.
4- Sem confiança não há sucesso permanente.
5- Tudo acontece por uma razão e um fim e isso nos serve.
6- A compaixão aniquila a ideia e a vontade de potencia.
7- Acreditarmos que somos maiores que as nossas próprias vozes, nos torna seres superiores.
8- Descobrir às paixões, anseios e medos das pessoas, nos fazem arquitetos do vosso futuro.
9- A arte do teatro torna o nosso discurso mais interessante.
10- Bebe exaustivamente nas fontes do conhecimento, pois o conhecimento é o nosso maior poder.
Meu nobre amigo, quantas divergencias entre nós surgiram ao longo deste ano que em breve se encerra. Devemos agradecer a todas elas pois assim fortalecemos todas as nossas ideias. Incluindo aquelas que estavam somente a espera de um ativador. Desculpe-me por ter dado tanta ênfase ao poder. O meu próposito é te fazer entender o porquê das minhas ações. Gostaria de saber como andam os teus planos, em que terras pretendes habitar teus sonhos? Essa noite fui tomado por recordações da nossa juventude. Quantas aspirações aprisionavamos em nossos corações. Éramos, sem dúvidas, os mais loucos da nossa geração. Creio que levarei esta saudade ao túmulo.
Ainda não tive a sorte de reencontrar a Hecáte em meu caminho. Entristeço-me em saber que, quanto mais eu a procure, mais distante ela se posiciona. Serão desencontros naturais da vida, ou simplesmente há um não querer da parte dela? Me pareçe que eu perdi o amor de tal criatura! Se for mesmo isto… por favor, ajude-me a recuperá-lo.
Ontém fui convidado para compor um dispositivo de homenagem à Louraine, fiquei muito emocionado, como já era de se esperar. Obrigado por ter cuidado tão bem daquela que marcou intensamente as nossas vidas.

Valentine Lencastre
personagem de Carlos Conrado

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