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terça-feira, 29 de junho de 2010

AFOGADIUM


Afogadium

15/04/2010

Estou em crise. Patologias em versos feitos por patos poetas querem me conhecer e eu também quero. Estou perdido, me sinto como vísceras de aves jogadas com ênfase na faixa de pedestre da Avenida Senador Scoob Doo. Tenho sentimentos de dor, paz e vingança num copo de extrato de tomate. Tenho ciúmes de mim mesmo!... Sou diversos seres num recipiente raquítico em busca do Tóten perfeito. Exalo a tristeza em meus tubos de tinta acrílica. Drogo-me, pois o intervalo de mim mesmo me excita. Tentei fazer da arte uma moeda tal qual o Real. Decepcionei-me! Pois descobri que tudo neste universo é irreal. A Loucura está despida diante de mim a provocar-me os desejos mais ferozes e obscenos. Um Blues me transporta para o plano paralelo ao paralelepípedo, thrill is gone, BB King canta em minha panela de pressão. O vento de meu triturado ventilador convida-me para um tango. As batidas do meu coração me fazem lembrar a Bahia, timbaladiando faço da vida um risole de recheio amargo. Perdi meu carro e minha casa numa aposta que fiz contra o meu fracasso. Penduro uma corda no pescoço de minha sombra e peço para que ela grite!... Nada acontece. Nem para fazer o mal eu tenho vocação! Pergunto-me se essas chuvas que chegam sem pedir licença são mandadas por Deus ou pelas nuvens safadas e traiçoeiras. Vou mirar minha urina para os céus e ver se alaga tudo lá em cima. Se for para viver em baixo d´agua como os peixes, melhor será viver na banheira pois o mar pode ser muito traiçoeiro. Um basta a essa chuva bastarda! Preciso de sol para estender as minhas roupas.

Carlos Conrado

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