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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Comentando o Bordel Semântico


Comentando o Bordel Semântico

Livre das amarras dos pensamentos e textos hipocritamente moralistas, Juliano Beck, é talvez a evolução do despudorizado Gregório de Matos que na era contemporânea margeia, e muitas vezes se embriaga com o concretismo que no Brasil fora tão bem representado por Haroldo de Campos e Décio Pignatari. Seus temas não são somente cantos ao erotismo, mas sim também criticas ao novo tempo. Conceituo o Bordel Semântico (primeiro livro de Juliano), como uma ideia ímpar foragida do “vale dos Ímpios”. Partindo da metafísica conradiana, é demasiado importante citar que, o homem criador de algo; o ser capaz de engendrar matérias a partir do ventre-talento, o animador de rochas, é por mérito também um deus! Isto é, em verdade, Juliano Beck. Crente no poder dos nirvanas, várias formas de si nos apresenta... Por vezes, o denomino como a evolução do processo kafkiano, ele não gosta! Na tentativa de descrevê-lo com mais veemência, devido aos excessos de pelos no rosto, sua cara pálida, seus longos cabelos e sua conduta quase surreal, é possível e até saudável o nomeá-lo como um Jesus profano e passageiro fiel da Nave loucura.

A poesia é um clã de signos, onde cada palavra, ou até mesmo cada letra, representa um universo. Se em Sergipe o concretismo seduziu a poucos, a exemplo de Ilma Fontes, Mário Jorge e Jeová Santana, tal classe desses produtores agora ganhou mais um reforço com a chegada deste gaúcho naturalizado sergipano. Beck destrincha as leis estilísticas estabelecidas para a elaboração de um bom texto. O seu pensamento, ou melhor, a sua identidade literária precocemente formada é algo que incomoda e ao mesmo tempo encanta. Em suas mãos, a caneta sobre o papel chega ao orgasmo. Em sua obra os hai-kais personificam-se em semideuses da verdade do universo beckiano. A eroticidade de alguns versos vai além do panteão dos gozos. Sua prosa geme e suspira.

Seu universo explicitamente se solidifica nas bases da loucura, tem a palavra como algo que “se diz puta”,meretrizes dos textos despidas e expostas ao ceticismo, a critica, e aos comandos das mãos de um artista da palavra – esta que se diz puta, dirá também em seus devaneios, que é sem dúvidas, algo mais no universo conturbado do poeta Juliano Beck.


Blog do Juliano Beck: www.nasentrelinguas.blogspot.com


- Carlos Conrado
Presidente do Movimento Cultural Internacional A Plêiade.

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