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domingo, 26 de dezembro de 2010

Condores da Perdição - fragmento da peça de Carlos Conrado e Danielle Santos.

Condores da Perdição
Carlos Conrado e Danielle Santos
....
Kim
- Eu vejo a noite com os olhos
De quem chora, enquanto
A brisa segue voejando,
Tu que vagavas no dorso
Da aurora, segue o teu destino
Sempre cantando, pois eu,
O crepúsculo que te incomoda
Sei fazer da minha desgraça
Uma brincadeira prazerosa...
Aqui neste cárcere amaldiçoado
Tenho minha esperança posto à prova.
Quem és tu ó donzela que
Neste inferno me faz companhia?

Mabel
- Eu sou a razão ignorada e
O inicio dos teus novos dias!

Kim
- Tu és o meu sangue derramado
O retrato da minha fraqueza.

Mabel
- Eu sou a parte que te faltava
Eu sou a cura para a tua tristeza...

Kim
- Vês o quanto estou ferido
O quanto fui retalhado,
Minhas vísceras no abismo
Deste coração martirizado.

Mabel
- Sinto que minha alma demente,
Embriagou-se com o teu cheiro,
Meus seios soluçam com as lanças
Sempre à frente...

Kim
- Tu que este desejo expira
Escuta e respeita a voz
Desta minha fiel melancolia.
Não me tentes ao afago
Da nostalgia, não queira umedecer
Meus lábios com o veneno
Da tua hipocrisia. Sei que
Não me amas e que sirvo
Somente
Para aliviar as tensões
Deste teu corpo quente.

Mabel
- Eu sou a verdade mal compreendida,
A nau perdida nos mares
Esquecidos, eu sou o intervalo
Da pureza fazendo hinos
À carne, eu sou a tua experiência
Nunca vivida.

Kim
Tu que nesta matéria estás a recostar,
Não és tão sedutora
Quanto à sinfonia do mar.

Mabel

- Não ignores o meu poder presente,
Sei que por meus olhos
Estás a balançar.

Kim
- busco nestes olhos
O conhecimento integral de ti,
És uma mulher audaciosa
Com um arsenal de coragem
A vender, aqui, frente ao ser
Que tudo fala, quero
Arriscar-me a me perder,
Qual o nome desta criatura
Que abafa a minha dor
E que em glória estás a me vencer?


Mabel
- Chamam-me de Mabel, não sei por quê!

Kim
- Não deves renegar teu nome
Pois é um essencial termo
Para tentar te entender.
Gostei dele, quero chamá-la assim.

Mabel

- Como quiser meu lord!

Kim
- Não deves me chamar assim.

Mabel
- Sinto que tu és
Como Byron na forma de ver!

Kim
- Se queres me conquistar
Não me compares a outro ser.

Mabel
- Qual é o nome que tu guardas
Por que não ousou a me dizer?

Kim
Eu sou o rastro da estrela
Apagada, o olhar do submundo,
Eu sou o Kim, filho do fogo
E da escuridão desvairada.

Mabel
- Tu, ao afirmar que é filho do fogo
Deixou explicita a sua relação
Com a luz, pois é do fogo que ela nasce.
Vês o sol? Quantas chamas cobrindo
Essa circunferência que, muitos acreditam
Ser ele o deus maior. Vês a lua,
Achas que não queima por dentro?
Se achas estás enganado meu caro!

Kim
- Ignoro a luz como este mundo
Ignora-me.

Mabel
- Eu não te ignoro, já sou a tua companhia
Há algumas horas.
....

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