Breve Panorama das Tragédias na Literatura - Os românticos e os simbolistas –


Breve Panorama das Tragédias na Literatura
- Os românticos e os simbolistas –
“Já da morte o pavor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece
E devora meu ser mortal desgosto”!
- Álvares de Azevedo –
A morte, a dor e o sofrimento, tiveram presença marcante na existência, ou melhor, na vida de muitos escritores. Grande parte deles, só conseguiu obter dignos reconhecimentos postumamente. Tanto no Romantismo como no Simbolismo, as suas tragédias pessoais foram as musas inspiradoras das suas obras.
Fagundes Varela, escreveu “Cântico do Calvário”, uma homenagem ao seu filho morto aos três meses de idade. Prosseguindo com as perdas, despediu-se também de outro filho, fruto do seu segundo matrimônio. Varela, faleceu aos 34 anos em absoluto desequilíbrio mental.

A poetisa portuguesa Florbela Espanca, após casamentos infelizes, rejeição da família, da sociedade e dois abortos, se suicidou aos 36 anos, ingerindo uma dose excessiva de medicamentos. Escreveu a obra “As máscaras do Destino”, dedicada ao seu irmão que também cometeu suicídio.

O autor Cruz e Sousa, teve a vida atormentada pelos distúrbios mentais da esposa, e a morte dos seus quatro filhos vitimados pela tuberculose pulmonar.

O escritor e religioso, Junqueira Freire, morreu prematuramente aos 23 anos. Casimiro de Abreu, morreu enfraquecido pela tuberculose em 1860, três meses antes de completar 22 anos.

 Edgar Allan Poe, autor do célebre poema “O corvo”, ficou órfão de pai e mãe aos 2 anos, foi adotado por um negociante que não tinha filhos e, juntos viveram na miséria por muito tempo.

Lovecraft, abalado com o falecimento do seu avô, tentou se matar aos 14 anos, atirando-se de bicicleta do rio Barrington.

 Alphonsus Guimarães perdeu sua noiva Constança, vítima de tuberculose aos 17 anos. Mesmo casando-se logo após a tragédia, toda a sua vida e obra foram marcadas por esta ausência.

 O poeta Álvares de Azevedo, o brasileiro mais famoso da segunda fase do Romantismo, teve a vida encerrada no dia 25 de abril de 1852, uma partida precoce de um talentoso escritor de 21 anos que, muito antes do óbito chegou a pressentir o seu fim, e grafou numa de suas poesias a comovente frase: “Se eu morresse amanhã.” Recitada pelo amigo Joaquim Manuel de Macedo, enquanto o seu corpo era sepultado.

Sei que muitos outros poderiam estar aqui presentes neste quadro. Foram tantos os que tiveram a vida marcada pelo sofrimento que, se aqui eu fosse retratá-los, fugiria ferozmente de um limite estabelecido por minha insana mente.

O conceito do suicido também está presente, mas em muitos casos, como veem àqueles que já foram citados, esta ideia foi além dos versos e alcançou a vida dos autores. É marcante também a presença da tuberculose que, para o inglês Shelley: Essa era, sem dúvidas, “a doença da moda”. Fracassos financeiros, decepções afetivas e a perda de entes queridos formaram um quadro dramático comum aos poetas que, parece ter contribuído intensamente na inspiração e refletido nos temas soturnos desses estilos. Assim, as almas dos românticos e alguns simbolistas manifestavam o tédio, a melancolia e a desilusão em que viviam imersos.

- Carlos Conrado

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