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segunda-feira, 4 de junho de 2012

O Despir de um grito Comentando a obra “Eu, nu. Jovens canções de amor e liberdade”, de Jorge Carrano.

O Despir de um grito

Comentando a obra “Eu, nu. Jovens canções de amor e liberdade”, de Jorge Carrano.

O lirismo de um poeta que usou os anos de chumbo, como cenário para a sua obra. Assim o jovem Carrano, fez da pena, a sua maior e fiel arma, como ele mesmo disse, fez dela um fuzil e baioneta.

Seus textos me fazem recordar Pignatari e seu concretismo, mas também nos revela a singularidade de fazer dos títulos, companhias dos versos que pelas folhas são encadeados. Sua poesia segue... O ritmo é apenas um espelho do seu coração, que solicita fervoroso o progresso daquela nação, que o fez sofrer à espera de paz. Esta obra é um depoimento distribuído em 60 páginas, mais que isto, ela é um discurso inflamado contra os molestadores do Brasil do fim da década de sessenta até toda a década de setenta,apesar de ter sido composta em sua juventude, Jorge já possuía a maturidade para questionar o sistema, e também fazer a sua parte, na tentativa de uma mudança mesmo que tardia. Em sua linguagem, esses manuscritos, ostentam e veneram o totem da Liberdade. Assim como outros jovens, ele gritava no silêncio, pois a censura era demasiada atenta a qualquer tipo de manifestação de pensamento.

Musas que humanizam ainda mais os homens passeiam em seus versos. Ele ama, entrega-se a elas, assim como também aos irmãos que encontrou pelo caminho.

Para Frei Betto, a nudez é “destampar todos os recônditos da alma, os mais obscuros e ínfimos”.

“Eu, nu. Jovens canções de amor e liberdade.” É a representação desta nudez, é o despir da alma de Jorge Carrano.

Carlos Conrado

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