DESTAQUES

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Quero ser um ginógrafo


Quero ser um ginógrafo
 
Quero navegar por entre suas coxas
e prender o meu falo ao qual chamo de nau.
Quero gozar nestas águas tempestuosas
e mostrar-te que sou maior que Zeus e Poseidon...

Quero despir-me tal qual um Baco que sou
e banhar-te de estrelas e de vinho.
Quero faze-la minha taça magistral.
Quero os meus sentidos em desalinho,
pois a loucura unida ao prazer
é como uma fera a devorar o próprio ventre...
É como a consumação que penso deveras ser.

Quero grafar todos esses versos em ti,
assim como um personagem de Chico Buarque

 no livro Budapeste, quero ser um ginógrafo!...

Ele fazia poemas sobre o corpo da mulher amada.


Vou te encher com as minhas letras.
Vou provar que a caligrafia tem cheiro,
tem vida, tem sabor, tem vontade própria.
Vou escrever mais de um capitulo em ti.
Talvez eu avance o prólogo e caminhe
ao encontro dos capítulos finais ou das chaves da trama.
Tu és minha folha em branco que em breve serás toda preenchida.
Vou te escrever no verso também para que as minhas palavras
bem ditas, nunca fiquem esquecidas.
Poderei por ventura amassar-te algumas vezes,
mas jamais ousarei rasgá-la...
pois tu mereces ser bem tratada,
tal quais as páginas de um diário ou grimório.
Quando eu terminar de escrever em seu corpo,
serás página preenchida e não mais uma simples folha em branco.
Vais beber a minha tinta e saborear o nanquim de um jovem poeta.



- Carlos Conrado

Nenhum comentário:

Postar um comentário