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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Quem Somos?


Quem somos?

“Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses.” – Sócrates.

Perguntar quem somos não é uma problemática inédita, aliais, é uma incógnita que acompanha todo o ser em estado racional. Mas também suas concepções não são absolutas, não são isentas de variadas interpretações, e estudos que as fortalecem e as dignificam como um conhecimento em Evolução. Sempre temos algo a acrescentar ao que diz respeito ao conhecer a nós mesmos.

Em meus solilóquios que indagam a tudo, concluo um parecer sobre o meu autoconhecimento e, mesmo que superficialmente, sobre a minha espécie: Somos como pedras brutas diante das mãos de um escultor, mais talentoso do que Michelangelo e Rodin!... Ele sabe que precisamos ser lapidados para que possamos revelar a beleza, a nossa imagem verdadeira. Mas que imagem é esta que, por exemplo, buscam os budistas? Que imagem é a perfeita distancia do Maya  pensado pelo filósofo Adi Shankara e tão combatida pelos indianos?

Ensaiando uma cosmovisão, na tentativa de abranger o conhecimento pleno, mesmo que o pleno seja um objeto inalcançável tal qual a ‘Razão Absoluta’, tento entender o porquê da nossa existência e compreender, mesmo que em pinceladas superficiais, o mundo que move o espírito da Filosofia, que busca alcançar uma visão global, harmônica e crítica do saber humano. Em minhas constantes buscas, percebi que a Ciência procura ampliar ao máximo o conhecimento racional do Homem. Para Descartes (1596-1650), “A essência do homem é pensar.” A partir desta máxima, considero-me, ousadamente, está seguindo na mão certa pelas avenidas da sabedoria. Nesta busca, ou melhor, neste caminho traçado, o homem passa a investigar setores específicos da realidade, onde estão presentes as diversas áreas especializadas das disciplinas científicas. Poderia ousar chama-lo de cardápio que alimenta a sua pré-existência. 
Neste cardápio poderiam estar contidos os seguintes pratos:  Arte, Cultura, Política,  e suas outras  Ciências Exatas e Humanas.

Para John Locke "O Homem nasce com direito à liberdade de sua pessoa". Mas não podemos concluir a partir desta situação que essa pessoa nasça com o Homem. Para Hegel “O que é real é racional.” A essência da filosofia é o ato de questionar a realidade e delimitar os problemas a serem resolvidos e trabalhar no sentido de encontrar justificativas que satisfaçam o ego perante as exigências da razão. Eis aqui a minha práxis.

Seguimos... Apenas seguimos sem conhecer a imagem do ponto final, da chegada. Mas será que precisamos conhecer o fim da jornada desta exaustiva busca? O grande processo da vida do Homem é a Evolução, mas todo o caminho parte de um princípio, de um ponto zero onde o corpo ou a ação deve-se deslocar, portanto, a Vida é iniciática. Nosso deslocamento é motivado e orientado pelas mãos da Evolução Temos, portanto, mais um passo dado aqui. Conforme caminhamos descobrimos que há um ponto em que várias problemáticas são propostas a serem desvendadas. Para qual lado devemos evoluir? Evoluir nos vícios, no amor, na condição orgânica do nosso corpo? Na espiritualidade? No bem ou no mal, de acordo com os clichês adotados para conceitua-los? Como praticar a evolução desapegando se das seduções do mundo sensorial? O fenômeno da Evolução não é só um processo, mas sim também uma Lei, uma das principais Leis Cósmicas, ela é um evento eterno em transição constante, em progresso. Sintetizando para o formato conradiano, afirmo: Somos seres animados e escravos do deus-progresso. Mas não só o homem está em evolução, mas sim também todo o universo.

Mas quem realmente é o homem?

A teoria de que o homem e o universo surgiu da matéria, é muito comum, mas como disse o pesquisador Ondina Balzano, essas "esbarram num grande obstáculo para explicar que tipo de elemento animaria o corpo em vida''.
Os espiritualistas defendem a ideia de que a gênese do ser humano e do universo dar-se a partir do espírito ou de Deus, considerando a figura de Deus como o Grande Arquiteto e Gestor do Universo.

 Mas não devemos parar por aí, precisamos dar contínuo à pesquisa, para que melhor venhamos compreender o papel do Criador, o que realmente nos move, e qual também deve ser o nosso papel como seres existentes.

Como citei logo acima, O Homem é fluído animizado – natureza inicial. Pode-se afirmar a partir daí que, o homem é energia revestida em três camadas: Alma, Espírito e Matéria. Conceito este também muito popular. Para diferir, aconselho nos apoiar na ideia de quatro camadas, pois o perispírito não pode jamais ser esquecido. Assim também são os animais e porque não as plantas? Enfim, somos seres orgânicos. Como bem sabemos, o que difere o Homem das outras criaturas terrenas é a capacidade biológica de raciocinar, a capacidade de agir não somente pelo extinto, ou melhor, pela sensciência que é uma característica animal que fornece a capacidade de sentir conscientemente algo, de ter percepções de tudo o que lhe acontece e de tudo que o cerca. Esta é a melhor teoria da qual preferi abraçar.

  Chardin em seu livro O Homem, afirma que o maior tesouro deste ser, recebido da natureza é o cérebro que compõe o corpo carnal.

“...Ora, o cérebro humano é o instrumento, não somente da inteligência, mas do julgamento que permite a verdadeira liberdade, escolha e invenção daquilo que convém.” – T. Chardin

Além da racionalidade, o Homem é um ser autônomo, livre como já fora citado. Responsável pela própria evolução. Uma criatura singular, capaz de se relacionar e se comunicar pelas formas mais dinâmicas possíveis.

“A Ciência não permite, pois, dizer com certeza ao filósofo e ao teólogo quando apareceu o homem verdadeiro, quem era o homem e quem não o era; mas ela nos entrega com os homínidas uma série progressiva, mas descontinua de seres distintos, o que permite afirmar que o homem, não obstante os intermediários, apareceu um dia, bruscamente.”
(O Homem, Chardin.T, Pag.93. Editora Herder, São Paulo. 1963)

Em um dos meus antigos textos afirmei que: A mente é o Templo e o cérebro o seu refúgio.

O homem, quando assume a couraça de sua matéria física, ou seja, o involucro material perecível que o reveste, para viver entre seus iguais aqui na Terra, desvela para o seu Espírito o seu Eu interior, a sua parte chamada Alma – o ser imaterial.

A Alma

Concordo com Kardec quando afirma que: A Alma é causa e não efeito. É um ser moral, distinto, independente da matéria que conserva sua individualidade após a morte do corpo físico. A Natureza é uma essência que se forma na Alma, é uma ação clara de uma Iniciação.
Continuando a citar Kardec: “... A alma universal seria Deus, e cada ser um fragmento da divindade”.
 A vida se volta em torno de uma ideia panteísta, pois somos todos deuses a compor o panteão universal.

Segundo a doutrina espírita, o laço que prende a alma ao corpo, é o principio intermediário entre a matéria e o Espírito. Conhecido como Períspirito é um envoltório semimaterial.
Quero deixar claro que a minha intenção com este texto não é a construção de um ensaio sob a doutrina kardecista. Apenas conclui ser de grande valia imprimir na construção desta ideia, exemplos que fortalecem este pensamento que busca, cada vez mais, alçar voos longe das gaiolas e amarras.
Não posso e não devo por os meus pensamentos como objetos inéditos, mas essa mescla que busco realizar, acredito, que me fornece uma concepção singular.


- Carlos Conrado

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