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terça-feira, 20 de julho de 2010

O GOZO


O gozo


A Terra banha-se despida
Sob o olhar de Deus.
O pudor horrorizado grita:


- Isto é um crime contra a decência!


Voluptuosa a Terra atiça
Os desejos secretos de quem a fez.
O olhar, vendo as curvas benditas
Atende ao convite do incesto,
Na pirâmide pubiana atira
O esperma onipotente.


Ergue-se no tempo um riso
Símbolo da satisfação
Deste orgasmo de Deus.

Carlos Conrado

3 comentários:

  1. Carlito, tens um jeito ímpar de fazer poesia! Soa tessituras proféticas, como quem escreve de cima do mundo, sem saber para qual lado pular, prefere procrastinar e ali fica em semelhante contemplação de si mesmo em água e terra, aos solilóquios que indagam à tudo!

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  2. Lá quando em mim perder a humanidade:



    "Lá quando em mim perder a humanidade
    Mais um daqueles, que não fazem falta,
    Verbi-gratia - o teólogo, o peralta,
    Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

    Não quero funeral comunidade,
    que engrole sob-venites em voz alta;
    Pingados gatarrões, gente de malta,
    Eu também vos dispenso a caridade:

    Mas quando ferrugenta enxada idosa
    Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
    Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

    'Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
    Passou a vida folgada, e milagrosa:
    Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.'"


    MANUEL MARIA BARBOSA du BOCAGE
    (de "Poesias eróticas burlescas e satíricas")

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  3. Seus poemas são místicos. Quase declaradamente teosóficos rsrsrs Muito legal sua visão transcendente.

    http://celebresanonimos.blogspot.com/

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