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Raízes

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Pisadas nas verdes folhas da única árvore de Ark, o som acusava a presença de um corpo leve que se aproximava.
- Quem vem lá?
A voz que brotava da terra gritou assustada, pois a sua solidão estava sendo invadida. Era apenas um garoto, sem muitos atributos, um pouco atlético, pois era desses que do trabalho árduo nunca fora dispensado. Filho renegado do seu vilarejo, perambulava sem destino, acompanhado por sua espada que tilintava ao tocar nas pedras.
Por que uma árvore resistia viva e frondosa num ambiente seco e hostil, no qual já fora uma bela floresta?
Em passos tímidos ele avançava, cada vez mais próximo das raízes protuberantes. A curiosidade regia o giro de 360° feito pela sua cabeça, forçando o seu olhar a ver além. Ouvindo um ruminar melancólico, fora saber do que se tratara.
Parado e desconfiado, pusera a espada na bainha e com as mãos apalpando a terra, gritou:
- Tens alguém aí em baixo?
Estalos anunciavam o despertar de alguns galhos ainda adormecidos. Um sussurro progressivo to…

Para Diana Conrado, meu amor.

Quero num sopro teu nome abraçar. Estou defronte a tua alva cor...! Meu ser, exausto do tempo e da dor. Teu ser, aprisionado em meus braços estás.
O estandarte que guarda a face da vitória, é mortalha para as lágrimas deste guerreiro; Colecionador de frustrações e isento de glórias, hoje cá estou,  após rondar o País inteiro.
Trago-te meus planos e um coração sedento. Açoito os desafios, aceito o que me cabe neste tempo. Somos o que sobrou após o inverno, o presente do vento.
Teus olhos miram retalhos da minha fortaleza...! Eu, o ser que aprisionou a tua beleza, em teu corpo me lanço, pois vi em ti correnteza.
-Carlos Conrado

O EXÍLIO DO EU

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Procurei exilar-me de mim para fugir do meu senhor, que na fraqueza e cansaço, triste, não mais me presenteou. Agora longe do porvir segrego toda a minha dor...!
Desencantado com o que vi, brasões d ´alma caídos ao chão, tento o retorno de mim, pois nunca foi fácil, amigo, ser este humano que sou nesta terra sem coração.
Ouço muitas vozes a cair como mortalhas de horror, são daqueles homens que vi nos tais despojos do amor.
Carlos Conrado 2006





O ANJO DE CEM ASAS

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O Anjo de Cem Asas
Chegou em minhas mãos o mais recente livro do escritor Jorge Carrano, que pretende provocar o leitor desvendando as lutas do seu “Anjo de Cem Asas”.
         O autor busca uma nova fórmula para entender o amor e ensaia provas de resistência à dor.

         Antes de iniciar a minha ação de folhear as páginas desta publicação, devo confessar! Nutrira em mim o pré-julgamento desta se tratar de uma continuação do livro: “A Centaura e a Esfinge”. Eu estava equivocado!          Munido com uma poesia livre e, às vezes, ondeante, antes de plainar nos trilhos até então obscuros à visão, ele experimenta conceituar a identidade de Deus:

         “Deus não é consequência, causa, efeito ou justificativa... Deus, em verdade, eu vos diria, deve ser do tamanho do que eu não conheço.

         O Anjo de Cem Asas é um ser que procura, incessantemente, conhecer os hábitos, sonhos, sentimentos e desejos humanos. Ele quer transfigurar-se, sentir o prazer pelo qual não fora condicionado. Ele e…

A VISÃO DIVINA

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-Senhor, quero pedir-lhe um favor, não é um desses favores que estás habituado a ouvir dos meus irmãos. Peço-lhe 10% da tua visão, pois anseio alimentar os meus olhos com as mais belas e onipotentes imagens.
-Caro filho, tem noção do que estás a me pedir?
-Sim, senhor!
-Filho querido, te emprestarei 1% da minha visão, para que possa usar com cautela o olhar divino. Se depois de experimentar este 1%, desejar obter o restante, eu te passarei por completo os 10% que tanto anseia ter.
... O homem que queria enxergar como um deus, depois de colher imagens da Terra e captar em seu globo ocular toda a maldade e dores  geridas pela Humanidade, ao invés de solicitar os 9% restantes do acordo, preferiu abdicar do 1% o mais rápido possível, para que não definhasse diante de tanta carga pesada.

 Voltando-se ao Todo Poderoso:

-S

Somos o que somos!

A vida do outro muitas vezes nos seduz a ponto de acreditarmos ser ela bem melhor que as nossas próprias vidas. Schopenhauer, gênio o qual muito estimo, disse um dia: “Desperdiçamos três quartos de nossas vidas tentando ser como as outras pessoas.” Tão certo quanto ele também está o célebre escritor, psiquiatra e motivador pessoal Augusto Cury, que afirmou: “Quem discrimina os outros os diminui, quem supervaloriza os outros diminui a si mesmo”. Meus queridos, considerando a condição em que muitas vezes pomo-nos como clones e sombras, encontro-me no dever de revelar que ambos não são felizes, pois não possuem espíritos e nem tampouco alma. Neste estado também se encontram os computadores e outros objetos possuidores da mais alta tecnologia. Mesmo tendo um “cérebro – sistema” moldado para raciocinar de forma assustadora, essas máquinas também não possuem a dádiva de sentir. São meramente corpos isentos de uma intervenção espiritual. Perder a nossa identidade para absorver a de outrem não é u…

Cadeado

Quero além do teu corpo Desnudar a tua alma e espírito. Quero provar que o prazer É uma entidade cósmica. Faremos gozar as estrelas, E o sol perder a libido. Quero provar tua flor de lótus, Assim como provei a flor do universo. Quero teus negros olhos Nos meus cristalinos. Quero violar tua fenda E roubar teu sulco sagrado. Quero te prender em mim, Pois sou cadeado.
-Carlos Conrado