DESTAQUES

domingo, 14 de agosto de 2016

Navegando no inconsciente



Temos em nós um mar revolto! Por maior que seja a serenidade que externamos, a nossa mente não conhece a mansidão. O inconsciente é tal qual um buraco negro onde nos perdemos facilmente. Não se trata apenas de um lugar em nós onde a razão não tem acesso, um lugar intangível, onde guardamos nossas emoções e outros conteúdos mentais. Neste ambiente, também estão inseridas as nossas memórias reprimidas e/ou esquecidas, nossas intuições e nossas sensações. O inconsciente possui autonomia sobre nós. Mesmo que não queiramos a sua intervenção, sempre está em constante comunicação com o nosso consciente e sinalizadas no comportamento do nosso corpo. Às vezes, ou melhor, quase sempre, até nos governa sem que venhamos perceber.

O inconsciente é o grande pilar dos estudos psicanalíticos. Em sentido objetivo, não seria possível a existência da Psicanálise sem o seu principal e essencial objeto. Ele é o grande responsável pelas dores da psique humana, que são advindas da sua subjetiva existência. Freud considera que o sonho é a vida real do inconsciente. O psicanalista ao buscar tratar as neuroses, toma como partida, a análise e interpretação das forças inconscientes que se manifestam através dos atos falhos, sonhos, histeria, traumas, recalques e outras tantas manifestações advindas do 'baú da inconsciência'. São utilizadas para tornar a nossa vida mais confusa, divertida, dinâmica ou torturante.

                Já dizia o poeta: “Navegar é preciso”. Navegar e investigar o inconsciente” é uma forma de tentarmos tomar as rédeas da nossa conduta social, moral e conhecimento de si mesmo. Embora o conhecimento pleno jamais possa ser desvendado. Desta indagação a Filosofia sabe comungar muito bem. “Conhece-te a ti mesmo.”, em minha humilde interpretação, trata-se de um apelo proferido por Sócrates, para que nunca venhamos nos estagnar. Pois a vida é movimento. Assim, concluo que ela é também tal qual o mar revolto aqui exposto, o qual é preciso ser investigado e conhecido, para que possamos navegar munidos da maior segurança, que é, a meu ver, saber onde estamos e para onde vamos. A nossa mente também semelha ao ambiente em que fomos inseridos como seres existentes, nossa Terra mater, ela não conhece a inércia.

(...)

-Carlos Conrado

sábado, 11 de junho de 2016

Para Diana Conrado, meu amor.

Que este seja apenas o nosso primeiro Dia dos Namorados.
Te amo!!!


Quero num sopro teu nome abraçar,
Estou defronte a tua alva cor,
Meu ser, exausto do tempo e da dor
Teu ser, aprisionado em meus braços está...

O estandarte que guarda a face da vitória,
É mortalha para as lágrimas deste guerreiro.
Colecionador de frustrações e isento de glórias
Hoje cá estou,  após rondar o País inteiro.

Trago-te meus planos e um coração sedento,
Açoito os desafios, aceito o que me cabe neste tempo.
Somos o que sobrou após o inverno, o presente do vento.

Teus olhos miram retalhos da minha fortaleza,
Eu, o ser que aprisionou a tua beleza,
Em teu corpo me lanço, pois vi em ti correnteza.

-Carlos Conrado

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O EXÍLIO DO EU

O Exílio do Eu


Procurei exilar-me de mim
para fugir do meu senhor,
que na fraqueza e cansaço,
triste, não mais me presenteou.
Agora longe do porvir
segrego toda a minha dor!...

Desencantado com o que vi,
brasões d ´alma caídos ao chão,
tento o retorno de mim...
Pois nunca foi fácil, amigo,
ser este humano que sou
nesta terra sem coração...

Ouço muitas vozes a cair
como mortalhas de horror,
são daqueles homens que vi
nos tais despojos do amor.

Carlos Conrado
2006






sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O ANJO DE CEM ASAS


O Anjo de Cem Asas

 Chegou em minhas mãos o mais recente livro do escritor Jorge Carrano, que pretende provocar o leitor, desvendando as lutas do seu “Anjo de Cem Asas”.
         O autor busca uma nova fórmula para entender o amor, e ensaia provas de resistência à dor.

         Antes de iniciar a minha ação de folhear as páginas desta publicação, nutria em mim o pré-julgamento desta se tratar de uma continuação do livro “A Centaura e a Esfinge”. Eu estava equivocado...
         Munido com uma poesia livre, e, às vezes, ondeante, antes de plainar nos trilhos, até então obscuros à visão, ele experimenta conceituar a identidade de Deus:

         “Deus não é consequência, causa, efeito ou justificativa... Deus, em verdade, eu vos diria, deve ser do tamanho do que eu não conheço.

         O Anjo de Cem Asas é um ser que procura, incessantemente, conhecer os hábitos, sonhos, sentimentos e desejos humanos. Ele quer transfigurar-se, sentir o prazer pelo qual não foi condicionado. Ele enxerga com a visão em prisma, ele apaixona-se pela sutileza, força e beleza da mulher. Toma o amor como sua égide mater...

         “Todo um tempo de caminho é menor quando não se ama.”

         Quando ferido, a dor passa a habitar o seu corpo, a governar as suas asas. O seu voo sangra... De que foram feitas as balas que o feriram? Forçado a cantar odes para um possível trágico fim, tais balas tinham o amor comprimido.
         O anjo condensa em seu ser quase abatido, uma necessidade de comunicação com a mulher que mais lhe alcançara o íntimo. Mas quem é ela? Será, talvez, Maria Carrano, a estrela ascendente da sua inspiração? Ou será, uma musa enigmática de difícil interpretação para nós leitores?...

         O ser alado nos faz coautores desta obra, interfere no universo à nossa volta. Provoca-nos a construir analogias com as nossas memórias. Considera as suas asas limitadas, para percorrer o trajeto planejado por seus instintos de busca.

         “Uma busca constante do autor por sua própria altura.”

Voar... Voar... Não como um simples anjo, mas como o deus dos ares. Por vezes, o autor se vê tal qual o corvo de Poe. Influenciado por sua força. Caracteriza-o como “Senhor da razão!”. Rasgando a alma, a carne e apresentando os versos extraídos de suas vísceras.

A poesia de Carrano é densa, bem arquitetada, harmônica e invasiva. Ela chora, vocifera, sopra a produzir os ventos que movem o seu Anjo de Cem Asas. Amantes da poesia, permitam-vos, serem invadidos pelo universo particular do escritor e poeta Jorge Carrano.

Carlos Conrado

sexta-feira, 11 de julho de 2014

A VISÃO DIVINA


A visão divina 

-Senhor, quero pedir-lhe um favor, não é um desses favores que estás habituado a ouvir dos meus irmãos. Peço-lhe 10% da tua visão, pois anseio alimentar os meus olhos com as mais belas e onipotentes imagens. 

-Caro filho, tem noção do que estás a me pedir? 

-Sim, senhor! 

-Filho querido, te emprestarei 1% da minha visão, para que possa usar com cautela o olhar divino. Se depois de experimentar este 1%, desejar obter o restante, eu te passarei por completo os 10% que tanto anseia ter. 

... O homem que queria enxergar como um deus, depois de colher imagens da Terra e captar em seu globo ocular toda a maldade e dores  geridas pela Humanidade, ao invés de solicitar os 9% restantes do acordo, preferiu abdicar do 1% o mais rápido possível, para que não definhasse diante de tanta carga pesada.


 Voltando-se ao Todo Poderoso: 


-Senhor, perdoe-me a ambição de possuir o dom divino da tua visão. Devo aceitar a minha condição de ser humano. Por curiosidade, por que o Mestre não chora? 

-Filho, se eu demonstrasse a minha fraqueza perante ti, de que forma eu te serviria como Líder? 

-Mas Mestre, mesmo o senhor sendo onipotente é possível ter fraquezas? 

-Para os olhos humanos sou perfeito, mas para os meus olhos sou apenas um esboço com traços imprecisos. Por este motivo,  realizo a todo o momento vários ensaios para me aproximar da perfeição. E tu, filho, porque não te moldas novamente por voluntária iniciativa? Nunca é tarde para iniciar a própria construção. 

  • Carlos Conrado 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Mais um comentário podre



Faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço. E assim a Humanidade é governada, na maioria dos casos pela hipocrisia. O mundo em que o governo é a falsidade ou a mentira, poderá ser visto claramente como a montagem perfeita do 'Inferno de Dante'. Poderá também servir como uma sustentação na personagem Iago, o amigo-inimigo de Otelo, do fantástico universo shakespeariano. A verdade é que já vivemos neste regime. Aceitamos pão e circo, enquanto fingimos o nosso esclarecimento, relutando com falsas dores. Ideais?... para quê? O nosso governo é o acomodado. Somos os palhaços da nação. Nossas verborragias perante o ventilador afirmam: "ruim com ele, pior sem ele!" E assim damos prosseguimento a onda banal destrutora do caráter humano. O espelho, amigo, é o nosso juiz. 

sábado, 18 de janeiro de 2014

Somos o que somos!

Somos o que somos!
MIA SAN MIA

A vida do outro muitas vezes nos infecta a ponto de acreditarmos que são bem melhores que as nossas próprias vidas. Schopenhauer, gênio o qual muito estimo, disse um dia:
“Desperdiçamos três quartos de nossas vidas tentando ser como as outras pessoas.”
Tão certo quanto ele também está o célebre escritor, psiquiatra e motivador pessoal Augusto Cury, que afirmou:

“Quem discrimina os outros os diminui, quem supervaloriza os outros diminui a si mesmo”.

Meus queridos, considerando a condição em que muitas das vezes pomo-nos como clones e sombras, encontro-me no dever de revelar que ambos não são felizes, pois não possuem espíritos e nem tampouco alma. Neste estado também se encontram os computadores e outros objetos possuidores da mais alta tecnologia. Mesmo tendo um cérebro moldado para raciocinar de forma assustadora, essas máquinas também não possuem a dádiva de sentir. São meramente corpos isentos de uma intervenção espiritual.

Perder a nossa identidade para absorver a de outrem não é uma salutar decisão quando se tem a felicidade como objeto de consumo, como prêmio. A verdade é que quanto mais tentamos nos moldar a imagem do próximo, mais forte apresentamos a nossa fraqueza. Querer ser tal qual o próximo trata-se de uma das vertentes da inveja. A “inveja de imitação”, de acordo com Gisele Parreira, pertencente à Associação Mineira de Psicanálise, esse tipo de inveja pode constituir na aflição dolorosa decorrente de uma admiração que faz o individuo se conscientizar das suas deficiências. Ela pode levar à imitação ou levar à aceitação das próprias limitações e não uma tendência destrutiva. Mesmo assim devemos ter muita cautela, pois essa mesma inveja pode estar em processo de mutação para o grau destrutivo, o qual almeja ceifar toda a pureza, a leveza, a vitalidade e os bens materiais da pessoa – espelho.

  Não existe conquista sem sacrifício, assim como nós não existimos sem o nosso “eu-ego” que tanto nos envergonhamos em tê-lo. Quando a nossa real face é apresentada, potencializamos de forma voraz as nossas qualidades, e como é dito no campo do marketing: apenas se destacam aqueles que são ímpares. Devemos confiar mais em nossos atributos.
Pois como grafou o poeta Fernando Pessoa, “quanto mais diferente de mim alguém é, mas real me parece, porque menos depende da minha subjetividade.” É preciso coragem, está na hora de libertarmo-nos das vestes da covardia. “Enfrentar preconceitos é o preço que se paga por ser diferente.” Afirmou Luiz Gasparetto. Devemos agradecer por sermos pequenos e poderosos fragmentos do universo, animados por uma mente suprema que evita cear com a fraqueza do homem. Devemos navegar sobre boas ondas, pois como nos disse Colin Turner:
“A mente humana atrai constantemente vibrações que se harmonizam com seus pensamentos dominantes. Portanto, quando você acreditar, verá a realidade.”
Mas quem sou eu para vir aqui ousadamente creditar a nossa necessidade de fixação em nossa real identidade?

Perdoem-me a audácia, mas comungar dos pensamentos edificadores da nossa imagem é mais que preciso. Ainda citando Turner, ele afirma:

“No final a escolha é sua, porque ninguém mais está qualificado para tomar as suas decisões...”

Muitas vezes o nosso querer é traiçoeiro, cuidado!... pois aquela pessoa que seus olhos tanto cobiçaram usar como espelho, pode ser somente um corpo vazio e artificial, como muitos famosos da TV e do Cinema que vivem à margem dos seus personagens.
Qualificados ou não, devemos compreender que uma dose medida de influência pode também nos potencializar. E uma dose excessiva pode nos levar à ruina. Não devemos nos esquecer do que somos, pois o ato de recordar também fazem-nos agentes da nossa própria transformação. Devemos evoluir ou regressar ao estado bruto?
 E agora eu lhe pergunto, somos o que somos ou somos o que queremos ser?
Carlos Conrado

Membro da ASI e da Academia Laranjeirense de Letras