DESTAQUES

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Prefácio do livro Poesia Absolvida de Carlos Conrado - por Patrícia Dantas



Prefácio

Comportada? Poesia Absolvida nasce com alma revolta, feminina, humana, e por que não dizer, do instinto do homem Carlos Conrado.
“O chá que bebo não se abstraciona...
É simplesmente o puro sabor da imagem verdadeira,
Adoço com o amor que cultivei dos teus belos seios”.

Existe, em sua obra, uma espécie de busca de êxtase poético, divino, a procura do ser que é e que se perde na consciência vazia do seu espaço-tempo; à luta do ego sobrepõem as algemas da força humana, que ora exalta, caminha, camufla, expele as sensações por toda a corrente sanguínea, que é o sabor intrínseco da vida e das experiências.
“Para Kali,
Fui o silencio e sabedoria
De Dalai Lamma,
Fui para os desgraçados...
A esperança”.

A poesia de Conrado se faz de palcos armados pela trama humana, ora leve, macia, excitante, ora cortante, audaz, nua, de véus ou sem vergonha; suas múltiplas faces possuem momentos supremos, pois até mesmo a oração encontra-se presente, ao elevar a alma sobre o precipício e buscar a face de Deus frente ao ato humano de tomar uma dose de cicuta e caminhar embriagado para os braços da loucura, a deusa que rouba os sonhos dos homens.
“Passei noites, isolado na escuridão do Monte Thor,
Fiquei por muito tempo ocultado pelos olhos humanos,
Vivi durante anos perdido em suas sombras...

(...)Vários sentimentos me condenaram
A uma tortura quase eterna.
(...)Foi incrível. Até parecia que aquilo era ensaiado”.

No constante reboliço dos diálogos que estremecem o espírito de questionamentos e interrogações, existe o homem atento aos movimentos e às ações humanas, perante a natureza e a criação, que como espelho de si visualiza cada mancha espalhada no corpo pelas intempéries dos desígnios divinos, pois os deuses aparecem e povoam os mundos existentes dentro do poeta.
Da luta interna parte a redenção. De honra se faz o poeta diante de seus versos, do tilintar das taças, do brinde à vida, sem restrições ou medo da busca por outros mundos ou viagens contíguas, ao encontro do inexplicável universo invisível das coisas.
“Faço turismo em terras
Das quais nem sei o nome.
Viajo sob a densidade sentimental(...)”
            A ternura humana é constante. As palavras em tons se misturam à prece, oração, poesia e a música dos sentidos, que elaboram as cores harmônicas da abóbada universal, das incontáveis órbitas eu prescindem à essência da liberdade.
Luzes e sombras dançam no rodopio constante da vida. Assim Carlos Conrado desfila seus versos envolventes na atmosfera dos fetiches humanos. E, tais quais as estrelas cintilantes de Van Gogh, seus desejos brotam da alma e possuem o brilho eterno da deidade de suas noites insones.
Do medo, do instinto e do coração que ama, Conrado traça um paralelo de suas histórias ao encantar o mundo da literatura com Ao mestre Edgar Alan Poe e à Talita Fontes. As descrições são realistas, sem abdicar do caráter romântico do coração do poeta, que ama, sofre, luta, envaidece e está pronto para mais uma taça do melhor vinho.
O fragmento em seu ser faz parte da descoberta humana. O que seriam senhores e senhoras, de seu caminho de fracassos e redenção, sem a superfície cataclísmica desses acontecimentos que se passam tão delineados em seus dias?
A cada pessoa, poeta ou aspirante, ser que ama ou louco constante, errante por estas estradas escorregadias e contraditórias da vida, digo com afeto que me foi dado um verdadeiro presente: falar da obra do poeta Carlos Conrado. Sua Poesia Absolvida merece o tom de sublime e desvairada, ao rumar pelas alamedas da loucura humana, alheia e, por que não dizer, completamente sua:
“Quando em mim o deserto se fez presente
A calmaria tornou meus sonhos eficazes.”

Mas falar de amor, poesias e cantá-los em versos exige responsabilidades maiores, que Conrado evidencia em sua experiência substancial, através dos seus trabalhos publicados, para a construção e enriquecimento da literatura contemporânea brasileira.
Que as leituras se multipliquem e a poesia de Conrado seja reconhecida como obra literária de inestimável valor humano.

Patrícia Dantas, João Pessoa, PB.

Nenhum comentário:

Postar um comentário