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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Chronos o faminto

Chronos o faminto

Sou tal qual o monstro de Goya,
Sou a fera cruel que te condena
A ser o alimento da minha fome,
Devoro-te inteira com o phallos e com a boca,
Sou Chronos o faminto degenerado...

Como um deus eu posso ser tudo.
Devoro ferozmente a incerteza quando preciso.
Num estalo de inconsciência perdi-me em ti,
Pois tu eras a personificação de um labirinto!...
Sou leão, touro e homem... Sou a fera suprema
Que se rendeu aos teus traiçoeiros encantos.

Procurei calcular tuas cilindras pernas,
Fiz dos meus braços um eficaz compasso
E tracei na tua carne a linha do desejo.
Para te surpreender, me vesti de matemático, e,
Calculei as partes da tua matéria multiplicando orgasmos.
Acendi as luzes da fantasia e para derreter tua alma,
Transformei-me no mais belo dos cisnes, o teu amante.

Transformei-me no inebriante fogo desta poesia.

Carlos Conrado

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