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sábado, 18 de janeiro de 2014

Somos o que somos!

Somos o que somos!
MIA SAN MIA

A vida do outro muitas vezes nos infecta a ponto de acreditarmos que são bem melhores que as nossas próprias vidas. Schopenhauer, gênio o qual muito estimo, disse um dia:
“Desperdiçamos três quartos de nossas vidas tentando ser como as outras pessoas.”
Tão certo quanto ele também está o célebre escritor, psiquiatra e motivador pessoal Augusto Cury, que afirmou:

“Quem discrimina os outros os diminui, quem supervaloriza os outros diminui a si mesmo”.

Meus queridos, considerando a condição em que muitas das vezes pomo-nos como clones e sombras, encontro-me no dever de revelar que ambos não são felizes, pois não possuem espíritos e nem tampouco alma. Neste estado também se encontram os computadores e outros objetos possuidores da mais alta tecnologia. Mesmo tendo um cérebro moldado para raciocinar de forma assustadora, essas máquinas também não possuem a dádiva de sentir. São meramente corpos isentos de uma intervenção espiritual.

Perder a nossa identidade para absorver a de outrem não é uma salutar decisão quando se tem a felicidade como objeto de consumo, como prêmio. A verdade é que quanto mais tentamos nos moldar a imagem do próximo, mais forte apresentamos a nossa fraqueza. Querer ser tal qual o próximo trata-se de uma das vertentes da inveja. A “inveja de imitação”, de acordo com Gisele Parreira, pertencente à Associação Mineira de Psicanálise, esse tipo de inveja pode constituir na aflição dolorosa decorrente de uma admiração que faz o individuo se conscientizar das suas deficiências. Ela pode levar à imitação ou levar à aceitação das próprias limitações e não uma tendência destrutiva. Mesmo assim devemos ter muita cautela, pois essa mesma inveja pode estar em processo de mutação para o grau destrutivo, o qual almeja ceifar toda a pureza, a leveza, a vitalidade e os bens materiais da pessoa – espelho.

  Não existe conquista sem sacrifício, assim como nós não existimos sem o nosso “eu-ego” que tanto nos envergonhamos em tê-lo. Quando a nossa real face é apresentada, potencializamos de forma voraz as nossas qualidades, e como é dito no campo do marketing: apenas se destacam aqueles que são ímpares. Devemos confiar mais em nossos atributos.
Pois como grafou o poeta Fernando Pessoa, “quanto mais diferente de mim alguém é, mas real me parece, porque menos depende da minha subjetividade.” É preciso coragem, está na hora de libertarmo-nos das vestes da covardia. “Enfrentar preconceitos é o preço que se paga por ser diferente.” Afirmou Luiz Gasparetto. Devemos agradecer por sermos pequenos e poderosos fragmentos do universo, animados por uma mente suprema que evita cear com a fraqueza do homem. Devemos navegar sobre boas ondas, pois como nos disse Colin Turner:
“A mente humana atrai constantemente vibrações que se harmonizam com seus pensamentos dominantes. Portanto, quando você acreditar, verá a realidade.”
Mas quem sou eu para vir aqui ousadamente creditar a nossa necessidade de fixação em nossa real identidade?

Perdoem-me a audácia, mas comungar dos pensamentos edificadores da nossa imagem é mais que preciso. Ainda citando Turner, ele afirma:

“No final a escolha é sua, porque ninguém mais está qualificado para tomar as suas decisões...”

Muitas vezes o nosso querer é traiçoeiro, cuidado!... pois aquela pessoa que seus olhos tanto cobiçaram usar como espelho, pode ser somente um corpo vazio e artificial, como muitos famosos da TV e do Cinema que vivem à margem dos seus personagens.
Qualificados ou não, devemos compreender que uma dose medida de influência pode também nos potencializar. E uma dose excessiva pode nos levar à ruina. Não devemos nos esquecer do que somos, pois o ato de recordar também fazem-nos agentes da nossa própria transformação. Devemos evoluir ou regressar ao estado bruto?
 E agora eu lhe pergunto, somos o que somos ou somos o que queremos ser?
Carlos Conrado

Membro da ASI e da Academia Laranjeirense de Letras

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